Entrevista com Dimisson Nogueira, Presidente da ANNFR
Entrevistamos Dimisson Nogueira, Presidente da Associação Norte Noroeste Fluminense de Remo. Veja como o esporte ajuda a integrar pessoas com o restante da sociedade.
ER: Pode nos contar um pouco de sua trajetória até chegar à diretora técnica do Projeto Rema Campos?
DN: Olá, Miguel, sou Dimisson Nogueira, presidente da Associação Norte
Noroeste Fluminense de Remo, ou Associação de Remo de Campos. Bem,
Karina Marques, a Responsável Técnica e Diretora de Projetos da ANNFR
trabalhava na Secretaria Municipal da Família e Assistência Social e
possuía, entre suas especializações, a de Gestão de Projetos. Naquela
época, eu havia começado uma parceria com o Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil (PETI – Campos), que funcionava naquela Secretaria, e
nos conhecemos. Ela então passou a desenvolver os nossos Projetos, e eu a
convidei para fazer parte da equipe Rema Campos. Tempos depois,
namoramos e nos casamos, e a nossa parceria continua na família e no
trabalho. Além dos projetos que ela já escreveu para a associação, há
dois anos atrás, em parceria com a Liangjin, fábrica de barcos chinesa,
conseguimos a doação de um Skiff (barco para uma pessoa), que ajudou
bastante nos treinos de nossos atletas.
ER: A Associação Norte Noroeste Fluminense de Remo é a entidade responsável pelo Projeto Rema Campos?
DN: Sim, começamos nossas atividades em 2004, com o Projeto Rema Campos,
voltado para alunos em situação de vulnerabilidade social e pessoal, e
não paramos por aí. Logo depois sentimos a necessidade de abraçar alunos
com deficiências visuais, díndrome de down e autismo, e demos início ao
Projeto Remo Sem Limites. Já o Projeto Remo Livre se iniciou para dar
apoio aos abrigos e ou casas de reclusão para menores infratores, no
cumprimento de medidas socioeducativas, que tem trazido boas surpresas
para todos nós, já que os meninos estão bastante comprometidos com as
aulas de remo.
ER: A ANNFR é composta de clubes, prefeituras, escolas de remo?
DN: Não, a ANNFR é uma entidade sem fins lucrativos que começou a funcionar
efetivamente em 18 de abril de 2004. Logo após o desastre ambiental de
Cataguazes causado pelo vazamento de 1,2 bilhão de litros de rejeitos
químicos nos rios Pomba (MG) e Paraíba do Sul (RJ), que banha a cidade
de Campos dos Goytacazes pela empresa Cataguases Celulose (MG) e que
provocou cortes no abastecimento de água de cerca de 600 mil pessoas,
impossibilitando o exercício das atividades de sustento das famílias de
mais de 450 pescadores de nossa região e ameaçando a saúde de mais de 4
milhões de pessoas nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na
época, passei a ter como meta primordial fazer a população olhar
novamente para o rio, levando o remo e exercendo atividades com base no
desporto educacional em prol do afastamento de riscos sociais presentes
em suas realidades, resgatando a cidadania e unindo esporte, educação e
responsabilidade socioambiental. Fizemos parcerias ao longo desses anos,
como com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, mas sem
receber diretamente por nossos serviços prestados.
ER: Na verdade são
três projetos, correto? Projeto Rema Campos (adolescentes e jovens em
situação de vulnerabilidade social), Projeto Remo Sem Limites (com
alunos portadores de necessidades visuais especiais, Síndrome de Down e
autismo) e Projeto Remo Livre (com meninos provenientes de abrigos e
casas de reclusão para menores infratores). O governo financia estes
projetos?
DN: Não, nossos Projetos são financiados com doações
esporádicas de empresas e pessoas que acreditam em nosso trabalho. A
Prefeitura Municipal nos ajuda na realização de eventos.
ER: Vocês conseguiram algum incentivo através da Lei de Incentivo ao
Esporte? Pode nos contar qual foi o valor e o tempo de duração
aprovados?
DN: Não, na verdade o que nós conseguimos foi a aprovação do
Ministério do Esporte em 2011, com duração de 12 meses, no valor de
aproximadamente R$ 239.000,00, mas infelizmente não conseguimos ainda
captar esse recurso. Pleiteamos a renovação desse incentivo, de mesmo
valor para mais 01 ano, e acredito que só dependemos dos trâmites
burocráticos para conseguirmos mais essa aprovação. Deixamos aqui
registrado nosso pedido de apoio a nossa equipe de remo, tanto para
pessoa física quanto jurídica, para nos auxiliar nesses Projetos que têm
trazido bons frutos para o esporte nacional. Devemos mencionar que o
único representante do Brasil nas Olimpíadas de Cingapura, Tiago Braga,
iniciou suas atividades em nosso Projeto. Já levamos atletas para o CR
Vasco da Gama, campeões e vice-campeões brasileiros, e pretendemos
continuar com o nosso trabalho de forma eficaz e compreometida.
ER: Onde são as aulas da ANNFR?
DN: As aulas acontecem na sede da Associação de Remo de Campos, área esta
cedida pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, situada à
Avenida Rui Barbosa, 863 – Centro. Já as aulas práticas são executadas
no Rio Paraíba do Sul, no Cais da Lapa, em frente à sede.
ER: Qual a estrutura que a ANNFR dispõe para as aulas e para a equipe de Remo?
DN: Dispomos de 15 barcos de remo, 20 pares de remo, um ônibus e uniformes, além de quatro instrutores.
ER:
Apesar da associação ser norte e noroeste fluminense, os projetos só funcionam em Campos dos Goytacazes?
DN: Por enquanto, sim. Mas já estamos levando a idéia a municípios vizinhos.
ER: O jovem que não se encontra em vulnerabilidade social, não está em
abrigo e não precisa de necessidades especiais pode ter aulas de remo na
ANNFR?
DN: Claro! Nossas aulas são ministradas para todos aqueles que se interessam pelo esporte, a partir dos 11 anos de idade.
ER: Entrevistamos recentemente o presidente Jomar Garcia, do Goytacaz
FC. Ele nos contou que gostaria de ver seu clube de volta ao Remo, que
foi o esporte que deu origem ao clube. A ANNFR tem como ajudar neste
projeto?
DN: Com certeza teremos o maior prazer em sermos parceiros
dessa grande volta ao remo do Goytacaz. Estamos à disposição dos
dirigentes nessa empreitada de sucesso.
ER: O remo é um dos
esportes mais tradicionais de Campos dos Goytacazes. Mas dos anos 80
para cá, o esporte perdeu muito espaço e popularidade. O que aconteceu e
o que vocês estão fazendo para recuperar o remo da cidade?
DN: É
verdade, as pessoas passaram um tempo desacreditadas dos esportes
praticados no Paraíba, após o acidente ocorrido em Cataguazes que
derramou milhões de litros de rejeitos químicos, poluindo as nossas
águas. Além disso, ainda houve o fato dos clubes de remo da cidade
fecharem suas portas. A situação se complicou e então um dia resolvi
lutar para ter nosso rio de volta, e até hoje ainda não consegui parar
de promover o remo, que é um esporte tão bonito, além de ser um dos mais
completos para a saúde física e mental de seus participantes.
ER: Todas as regatas do Campeonato Estadual de Remo são disputadas no
Rio de Janeiro. Vocês pensam em tentar trazer alguma delas para Campos
dos Goytacazes para incentivar a prática da modalidade na cidade?
DN: A
nossa maior vontade é popularizar a prática do remo em nossa cidade,
inclusive com eventos onde haja a participação das grandes equipes da
capital.
ER: Além da ANNFR, quais os outros clubes que oferecem aulas de remo no norte e noroeste fluminense?
DN: Hoje temos a nossa Associação de Remo de Campos e o CR Campista, que também oferece escolinhas de remo para a garotada.
ER: Gostaria de deixar algum último recado?
DN: Gostaria de divulgar para a empresa interessada em patrocinar a nossa
equipe de remo o quanto é fácil o caminho para doar 1% do seu lucro
real, que iria para o Imposto de Renda, e que poderá beneficiar mais de
300 crianças que hoje são atendidas em nosso Projeto. Basta ligar para o
Ministério do Esporte, se informar sobre o nosso Projeto, que teve
aprovação na Lei de Incentivo ao Esporte, e depositar na conta
previamente aberta pelo Ministério do Esporte em favor de nossa
Associação de Remo. Ressalto que o recibo da doação é fornecido no
momento do depósito, e que os trâmites para quem deseja ser parceiro de
nossa equipe, que hoje já ocupa o 4ª lugar no Ranking Estadual, é mais
fácil do que parece. Para finalizar, agradecemos a todos os amigos que
acreditam em nosso trabalho e prestigiam a Associação de Remo nos
eventos municipais e estaduais. Deixamos aqui o nosso muito obrigado!